O Canal de Distribuição e a verdadeira crise do agronegócio.
*ANDAV
Foram meses de dúvidas e incertezas, mas finalmente pode-se ver os primeiros raios de sol em meio à tempestade chamada Crise. A economia começa a apresentar ares de recuperação e o Brasil, que também apresentou quadros negativos, parece já ter deixado para trás os piores momentos. Mas se para diversos setores esta foi uma das piores crises da história, para o agronegócio brasileiro o momento mais crítico esteve entre 2003 e 2005, cujo resquícios podem ser percebidos até hoje. A recuperação foi lenta, gradual e o mercado mostrou poder de recuperação apenas em 2007, o que se confirmou em 2008.
Portanto, o turbilhão internacional deparou-se com a reestruturação e solidificação do agronegócio nacional, não afetando drasticamente a cadeia produtiva, que mostra hoje sinais claros de crescimento. A balança comercial do agronegócio registrou, em junho, o melhor resultado do ano, com retomada do crescimento das exportações em dólar e superávit, apesar do desafio imposto pela restrição ao crédito.
Sabe-se a importância de disponibilidade de crédito para a fluência do agronegócio. É preciso ter capital de giro e financiamento para plantar, colher e exportar. A crise também gerou forte queda do comércio mundial. Sem crédito, os compradores reduziram seus estoques ao máximo. Outros fatores também tiveram impacto sobre a venda de produtos do agronegócio: a queda do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, principalmente em países ricos, gerou diminuição da renda e desemprego.
No setor de distribuição de insumos agropecuários, mais especificamente as revendas, uma mudança na visão do poder público e dos agentes financeiros está, aos poucos, abrindo as possibilidades ao crédito. Recentemente a ANDAV – Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários - conquistou importante parceiro nesse sentido: O Banco do Brasil, com a assinatura de um convênio. Além de uma linha de crédito exclusiva para o setor, foi firmado o compromisso de estudos para ampliação dos limites de crédito já existentes e a viabilização de novas linhas.
O primeiro fruto do convênio foi a conversão da Linha de Crédito Agroindustrial do Banco, antes também destinada a outros públicos, em linha exclusiva para revendas. Segundo Luiz Carlos Guedes Pinto, Vice Presidente do Banco do Brasil, este produto já está disponível para a Safra 2009/2010 e outros produtos poderão ser disponibilizados em breve, como leasing, vendor, desconto de títulos, investimentos, convênios e serviços como BB Agro, Risco Conveniado, BB revenda conveniada, que auxiliam tanto os produtores quanto as revendas, agilizando os procedimentos com o Banco. A iniciativa do convênio deve-se a diversos fatores, mas o mais importante deles é o reconhecimento do segmento de distribuição como fundamental no repasse de informações, tecnologias e crédito aos produtores, parceiros de longa data.
Nos anos 70, apesar dos produtores contarem com o apoio dos extencionistas, sentiam ainda falta de informações, assistência técnica e serviços que poderiam facilitar o seu crescimento e permitir foco na agricultura apenas. Então, as revendas, cujo papel era simplesmente o de concentrar produtos e vendê-los, abraçaram as novas demandas e ampliaram sua atuação, tornando-se ferramentas realmente úteis ao agricultor. Com o avanço das fronteiras agrícolas, o trabalho oferecido pelas revendas tornou-se básico e necessário nos mais distantes rincões e a obtenção de crédito via revenda é uma constante.
Para dimensionar a importância do canal de distribuição para a cadeia produtiva, cerca de 60% da venda de defensivos agrícolas passa hoje pelas revendas. Só no ano passado, estima-se que o volume de defensivos comercializados pelos distribuidores de todo o país tenha ultrapassado US$4 bilhões. Os volumes de arrecadação estadual, federal e principalmente municipal, contribuíram significantemente para a economia do país, marcando a contribuição e força das revendas no agronegócio nacional. Afinal, um mercado sólido frente às crises se faz com muito trabalho, responsabilidade e colaboração de todas as arestas de um segmento.

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